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Música e Cooperação (Artigo)

 

 

“Uma das piores coisas que podem acontecer na nossa vida é continuarmos a fazer as coisas sem saber bem por que as fazemos ou o que elas realmente são.”

Murray Schafer

 

Qual a intenção do Som e qual sua extensão?

Quando eu tinha aproximadamente 12 anos me fiz essa pergunta e claro, não me dava conta e nem estendia meus pensamentos para estudar sobre competição ou cooperação que dirá na música e a partir de 1979, nunca mais parei de estudar o som e os seus efeitos, e confesso que o universo sonoro tem muito mais elementos para se descobrir do que eu de existência. Com certeza precisaria muito mais tempo de vida para começar a compreender e a utilizar esse elemento de forma mais ampla e direta.

Da busca desse referencial surgiu o Método S.O.M. (Sistema de Organização Musical), que estuda o efeito do som no organismo e na psique e esse método vem sendo desenvolvido e aperfeiçoado há mais de 20 anos.

Um dos fortes pilares do Método S.O.M. é a física e mais diretamente, as freqüências, pois me da subsídios para entender “racionalmente” esse fenômeno acústico.

Um exemplo do processo da pesquisa, quando as músicas que são executadas em uma freqüência específica (nota musical Dó, Ré, etc) for igual, à do batimento cardíaco de uma determinada pessoa, se obtém uma empatia freqüencial ou ressonância, pois nosso organismo procura um eco para se relacionar, seja ele sonoro ou visual ou até mesmo, pessoas com o mesmo timbre de voz, pois isso gera uma certa tranqüilidade e a mensagem que o organismo da pessoa que esta sujeita ao estímulo lê é, “Estou seguro aqui...”.

E até então não me dava conta que essa procura de ressonância já é uma espécie de cooperação se buscamos freqüências parecidas queremos nos aproximar delas, pois nos dão segurança.

Escreverei mais sobre esse assunto no parágrafo abaixo entitulado música e o organismo.

 

A música e o organismo

 

Tudo que emite freqüência, tudo o que vibra, possui uma nota musical, incluindo o batimento cardíaco; circulação sangüínea e todos os órgãos que pulsam em nosso corpo.

Imagine uma grande orquestra tocando uma música afinadíssima e harmoniosa.

Alguns instrumentos soando magnificamente uma melodia sendo acompanhada por uma harmonia magnífica e segura tendo, como orientador de velocidades um ritmo preciso e claro. Assim é nosso organismo, todos os órgãos que pulsam em nosso corpo possuem uma nota musical definida (talvez não estejamos preparados para perceber essa nota, pois estamos preocupados com a música externa e a música das paradas de sucesso) e cada órgão responde a outro como se fosse uma conversa. Se um órgão começa a diminuir seu pulsar? Os outros diretamente ou indiretamente ligados diminuem ou aumentam suas pulsações compensando assim aquele que sofreu alguma alteração uns dão suporte para os outros. Isso é uma sinfonia. Uma sinfonia da vida e isso para mim é cooperação.

Isto quer dizer que nós somente por existirmos somos músicas e sons harmônicos e cooperativos.

Portanto nascemos música.

 

Exemplos de aplicação de música para harmonização

 

No decorrer da história existem vários relatos de músicas que foram utilizadas para gerar harmonia e da forma cooperativa.

Sabe-se que na China antiga um Imperador no segundo mês de cada ano percorria seu Império a fim de verificar alguma irregularidade e desarmonia existente em alguma de suas províncias que ele governava. Ele não se preocupava com as anotações de contabilidade como era de se esperar, mas sim comparava a afinação dos instrumentos musicais, as escalas e a altura das notas musicais da província visitada, com as do Palácio onde morava. Se houvesse alguma dissonância entre os instrumentos, ou diferença até mesmo na maneira de execução dos mesmos, o Imperador sabia que aquela determinada Província estava com problemas. Então, ele transferia seu palácio temporariamente para aquela província até que os problemas fossem resolvidos.

Em torno de 1825 já utilizando as notas musicais conhecidas, a música, como no parágrafo anterior, teve a aplicação não apenas como entretenimento e sim (o que hoje chamamos de Gebrauchmusik que significa música aplicada) para incentivar coletivamente um povo, de quando a Alemanha estava passando por uma das piores crises de sua história, o governo contratou Ludwig Van Beethoven para que compusesse uma música que estimulasse a coragem no povo, excitando-o e levando-o a reagir aos problemas e elevar seu moral. Então, ele compôs a 9ª sinfonia e o povo, agindo cooperativamente, conseguiu então sair da crise.

Um outro exemplo que cito foi um estudo que fiz com vendedores em várias feiras de verduras e outros gêneros alimentícios. Os lugares que serviram de pesquisa foram muitos como Cerasa e várias feiras espalhadas por São Paulo e outras cidades como Goiânia, Brasília, etc. Esse estudo apontou um dado muito interessante (para mim):

Toda e qualquer trabalho que envolva a manifestação sonora para a sobrevivência, que possua duas ou mais pessoas convivendo próximas e para que se obtenha resultado positivo, requer uma boa dosagem de cooperação.

 

Explico:

 

Quando dois ou mais vendedores estão trabalhando muito próximos e a ferramenta de propaganda e marketing deles é a própria voz, quase nunca os dois vendedores falam ao mesmo tempo, pois eles iriam competir entre si e ganharia o que tivesse a maior potência de voz. Isto no primeiro dia, pois no segundo eles estariam roucos e provavelmente perderiam a maior ferramenta para vender, que é a voz. Então se estabeleceu um acordo não verbalizado que impede de dois vendedores próximos falarem ao mesmo tempo isso gera uma comunicação eficaz, a propaganda é bem entendida pelo cliente.

Vamos supor que estamos em uma feira grande com vários vendedores juntos tendo que vender sua mercadoria. Pegaremos por exemplo de quatro vendedores.

Enquanto o primeiro vende sua mercadoria, o segundo; o terceiro e o quarto estão quietos se comunicando com gestos ou falando baixo com clientes que estão passando em frente as suas barracas. Quando o primeiro terminar é a vez de algum desse bloco pode qualquer um desde que seja somente ele.

Esse padrão muda de acordo com o tamanho da feira, com o perecimento produto do produto e com os afobados e que logo ficam sem voz.

Isso para mim é uma visão e uma ação cooperativa assim todos ganham ou no caso vendem.

 

Música e seus elementos

 

A música se compõe, basicamente de 3 elementos: ritmo, harmonia e melodia, podendo os elementos serem executados separadamente ou os três juntos.

 

Ritmo

 

A palavra ritmo provém do indo-europeu, Sreu (fluir) e pelo Grego Rhuthmos (medida, movimento, recorrente e regular, ritmo: rima).

O ritmo foi descoberto provavelmente na pré-história quando alguém notou que tinha algo batendo dentro de seu corpo (o coração) e quis externalizá-lo. A partir daí surge o que hoje é responsável pela velocidade com que agimos. Pode-se definir ritmo como a pulsação padronizada dos tempos. É a quantidade de batimentos que posso colocar em um ciclo pré-determinado chamado de compasso.

Todas as pessoas possuem ritmo, o que é um dos elementos fundamentais para resultados em equipes, mas algumas pessoas, desde a infância ou até mesmo quando adultas, procuram alguma escola de música, corais ou até mesmo quando cantarolam algo nas suas casas, são consideradas sem ritmo (o que já é uma incoerência, se existe um batimento cardíaco existe um ritmo) e quando isso acontece o indivíduo cria uma barreira e uma crença (muitas vezes sem fundamento algum) de que não tem ritmo. Nos meus workshops eu invisto muito mais tempo editando essa crença do que propriamente desenvolvendo musicalidade. No núcleo de trabalho a crença do “eu não tenho ritmo...” se torna um problema, pois essas pessoas são deixadas de lado e muitas vezes consideradas pessoas que não contribuem para o grupo. Esses indivíduos, na verdade, têm um poder de concentração fantástico. Explico... O que ocorre com elas é que estão focadas em seu ritmo próprio (relação intrapessoal). Basta fazer algumas dinâmicas de percepção que esses indivíduos automaticamente se desviarão do seu ritmo e aprenderão a estabelecer conexões com outros ritmos (relação interpessoal).

 

Harmonia

 

A própria palavra já descreve: é o todo executado ao mesmo tempo. É a parte da música onde o foco é conjunto, várias notas executadas ao mesmo tempo mas tendo seu espaço para soar. Aí se percebe o todo.

No século IV a.C. especificamente na china antiga já se tem elementos de mesclas de instrumentos musicais e vozes.

Nas empresas a harmonia é a diferença de um agrupamento de pessoas e uma equipe de trabalho.

 

Melodia

 

A palavra Melodia provém do Grego Meloidia; Melos: canção + oidia: Cantante / Aoidein: Cantar.

Do mesmo período do descobrimento do ritmo, na pré-história, a melodia surgiu da tentativa de imitar pássaros e outros animais além do contato migratório com outros povos de diferentes lugares, com diferentes línguas e entonações. A tentativa de querer imitar essas culturas migratórias, também é uma vertente para o surgimento da melodia.

Melodia - é uma sucessão de notas em diferentes altitudes (freqüência).

A melodia é a grande responsável pela individualidade sonora de cada música. É o DNA da música.

Existem tantos mistérios nestas combinações sonoras que a todo o momento pesquisadores descobrem revelações incríveis das mesmas.

 

Música competitiva ou cooperativa?

 

Na música existem tantas diferenças e mesmo assim ha lugar para tudo e para todos. São ritmos; harmonias; melodias; alturas; timbre; intensidade; duração; interpretações das mais diversas e tudo isso cabe em muitas vezes em apenas 3 minutos que é a média do tempo de duração de uma música.

Cada nota, cada acorde tem seu espaço para soar (como já foi dito acima no parágrafo da harmonia), seu espaço para se pronunciar.

Existem algumas peculiaridades e semelhanças entre música e times que gostaria de mencionar. A música somente acontece porque as notas existem e são as mais variadas, isto é, diferentes que se completam. Em uma única música, um compositor russo chamado Serguei Vassilievich Rachmaninov chegou a colocar 14.000 notas musicais (concerto n.º 2).

No meu entender se a música fosse competitiva com certeza hoje não existiria mais, pois mencionando apenas um dos elementos da música que é a intensidade (volume), possivelmente provocaria a surdes da maioria das pessoas que fossem escutar. Imagine se cada nota (falo também do músico responsável pela nota executada) musical estivesse competindo com as outras, ou se cada harmonia puxasse cada um para um lado ou o ritmo se batesse cada um em uma velocidade. Acredito ser insustentável tal situação.

 

Exercício:

 

Apresentação com sons:

Esse jogo serve (como o nome já diz e na falta de um nome melhor) para início de trabalho.

O jogo consiste em cada pessoa escolher um som para se apresentar e se possível com gesto.

Segue abaixo a descrição:

Um grau de desafio é após todo o grupo ter se manifestado, o facilitador então pede para que o grupo se lembre do som de cada um dos participantes.

Nota: Esse jogo eu dês-cobri (algo que estava coberto) a mais de 15 anos, e até então não tinha acesso a livros de jogos e também a pessoas que trabalhavam essa técnica de jogar, mas pode ser que esse jogo tenha sido inventado ou sistematizado por alguém que eu desconheça. Então diante mão peço desculpas se for de alguém e por favor esse alguém se manifeste para eu poder dar os créditos legítimos.

 

Conclusão

 

O som e a música são elementos importantíssimos para nossa vida, seja para nos socializar (quando gostamos de um mesmo gênero de música), ou uma forma de criar empatia natural ou ainda relembrar de uma cena em nossa vida, seja como informação, por exemplo, trilha sonora para propagandas ou uma buzina de carro para nos deixar mais atento. Mas o som e a música também servem como uma poderosa ferramenta, quando utilizada de forma adequada, nos possibilita chegar a resultados significativos, com rapidez e qualidade além de ter uma aceitação quase que imediata pelas pessoas (pode ocorrer de não gostar de um gênero de música, mas eu não conheço ninguém que não goste pelo menos de uma música).

A música nasceu do nosso organismo (ritmo do batimento cardíaco etc.) e hoje, busco o caminho inverso, o som e a música para o nosso organismo. O estímulo dado pela música ou pelo som, e a resposta do nosso organismo. Mas não qualquer resposta, a resposta desejada.

No meu entender essa engenharia sonora somente existe através da cooperação, isto é todas as notas convivem harmoniosamente em uma música ou ampliando o foco, em um show, ou até mesmo em nossa filarmônica interna que é nosso corpo pulsando em vida.

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